O dólar fechou em queda de 0,19% nesta quinta-feira (13), cotado a R$ 5,797jogo togrinho, depois de passar boa parte do dia oscilando entre os sinais.
Já a Bolsa disparou 1,43%, a 125.637 pontos, com a força dos pesos-pesados Vale, Petrobras e setor bancário descolando o Ibovespa do restante das praças acionárias globais.
Nesta sessão, os investidores se mantiveram atentos à guerra de tarifas entre Estados Unidos, Canadá e União Europeia, bem como a dados norte-americanos de emprego e de inflação ao produtor.
Depois que as tarifas de importação de 25% sobre produtos de aço e alumínio entraram em vigor na quarta-feira, países afetados retaliaram. O Canadá, principal parceiro comercial dos Estados Unidos na categoria, disse que irá impor 29,8 bilhões de dólares canadenses (R$ 120,3 bi) em tarifas a partir desta quinta.
Já a União Europeia anunciou tarifas retaliatórias sobre 26 bilhões de euros (R$ 164,9 bi) em produtos norte-americanos a partir do próximo mês, como barcos, uísque e motocicletas Harley Davidson. Outras categorias também podem entrar na lista.
O Brasil, segundo maior fornecedor de aço e alumínio dos EUA, deve optar pela via da "reciprocidade e do diálogo", disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em publicação nas redes sociais.
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"Reciprocidade e diálogo são princípios que devem nortear a relação entre países. O Brasil é, e vai continuar sendo, dos brasileiros", escreveu Lula.
Nada foi anunciado por enquanto, mas o Itamaraty, em nota, classificou a medida como "injustificável e equivocada" e disse avaliar a apresentação de um recurso à OMC (Organização Mundial do Comércio).
O presidente Donald Trump, em resposta às represálias, subiu o tom. Nesta quinta, ameaçou aplicar uma taxa de 200% sobre vinhos e outros produtos alcoólicos provenientes da UE caso o bloco não retire a tarifa sobre o uísque. Ele, no entanto, disse continuar aberto a negociações e que tarifas mais altas não são do interesse de ninguém.
O tarifaço tem inspirado cautela nos mercados globais. "A retaliação dos países atingidos pelas tarifas de Trump adiciona mais risco geopolítico, o que, consequentemente, resulta em maior incerteza e aversão ao risco por parte dos inve stidores", diz Matheus Spiess, analista da Empiricus Research.
"Há um movimento defensivo em curso que se expressa pela queda dos mercados asiáticos, europeus e americanos."
No Brasil, empresas pesos-pesados levaram o Ibovespa a descolar do exterior. Vale subiu 1,38%, endossada pela alta dos futuros do minério de ferro na China, e as ações preferenciais da Petrobras avançaram 1%, depois de acumularem perda de 1,5% ao longo da semana.
Itaú teve ganhos de 1,62% e Bradesco subiu 1,75%, seguidos por Banco do Brasil (1,63%) e Santander (1,12%).
tigre jogoAlém disso, a B3 subiu 10,48% após a Câmara Superior do Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais) decidir em favor da companhia, cancelando definitivamente o auto de infração da Receita Federal que questionava a amortização do ágio gerado na incorporação da Bovespa em 2008. O valor do processo era de R$ 5,77 bilhões.
O dia também foi positivo para CSN e CSN Mineração, que saltaram 7,91% e 9,09%, respectivamente, em reação ao resultado trimestral da companhia.
"Vale notar que não é um dia típico de propensão a risco", afirma Spiess. A maior preocupação é que a guerra comercial escale e distorça cadeias de suprimentos globais, o que pode encarecer diversas categorias de produtos. No caso específico dos Estados Unidos e de outras potências econômicas, como a Alemanha, há ainda temores de que o tarifaço provoque uma recessão.
"Está ficando muito agitado agora, porque as tarifas estão indo e vindo e ninguém sabe até onde isso pode ir", disse Ipek Ozkardeskaya, analista sênior do Swissquote Bank.
tiger fortune"Sejam elas efetivas ou táticas de negociação, as tarifas aumentam as expectativas de inflação e é por isso que os mercados estão em pânico neste momento.
tigrinho fortune As idas e vindas das tarifas de Trump sobre Canadá e México1º de fevereiro
Donald Trump anuncia tarifas adicionais de 25% sobre todas as importações do Canadá e México, com exceção de produtos de petróleo e da energia canadenses, que terão taxa de 10%. No decreto inicial, tarifas estavam previstas para entrar em vigor três dias depois, em 4 de fevereiro.
3 de fevereiroUm dia antes de tarifas começarem a valer, Trump recua pela primeira vez e as suspende por 30 dias. Adiamento ocorre após acordos com os governos vizinhos, que se comprometem a reforçar a segurança nas fronteiras.
10 de fevereiroTrump aumenta tarifas sobre aço e alumínio de todos os países para 25% e exclui isenções anteriores para grandes fornecedores, que incluíam Canadá e México. Mudanças estão previstas para entrar em vigor no dia 12 de março.
27 de fevereiroApós rumores de que iria adiar novamente tarifas, Trump confirma que prazo do dia 4 de março se mantém e diz que Canadá e México não fizeram o suficiente para conter o fluxo de fentanil nas fronteiras.
4 de marçoTarifas de 25% para produtos canadenses e mexicanos e de 10% para produtos de petróleo e energia do Canadá entram em vigor. Canadá retalia com tarifas de 25% e México promete uma resposta.
5 de marçoUm dia após início das tarifas, Trump recua pela segunda vez e isenta por um mês montadoras instaladas nos EUA das tarifas de 25% sobre produtos importados dos vizinhos Canadá e México. Suspensão vale para as montadoras que cumpram os termos do USMCA (acordo de livre-comércio já existente entre os três países).
6 de marçoTrump recua pela terceira vez e, após conversar com líderes dos países vizinhos, suspende até 2 de abril as tarifas sobre todos os produtos mexicanos e canadenses contemplados pelo USMCA.
fortunetiger 7 de marçoTrump faz ameaças contra produtos do Canadá, afirmando que pode impor tarifas sobre produtos lácteos e madeireiros do país
11 de marçoTrump anuncia que vai dobrar a tarifa para produtos com aço e alumínio importados do Canadá para 50%, mas volta atrás após recuo do país vizinho em tarifas recíprocas
Depósitos relâmpagos via pix - Deposite, jogue e divirta-se 12 de marçoUnião Europeia anuncia que imporá tarifas retaliatórias sobre 26 bilhões de euros (R$ 164,9 bi) em produtos norte-americanos a partir do próximo mês como retaliação às cobranças dos EUA sobre aço e alumínio
tiger fortuneFaça sua aposta no Brasileirão — Duplicamos o seu depósito até R$1000. Clique, aposte em jogos do Brasileirão e ganhe bônusSe o tarifaço aumentar o custo de vida dos norte-americanos, é possível que a briga do Fed (Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos) contra a inflação sofra um revés e force a manutenção da taxa de juros em patamares elevados. Quanto maiores os juros por lá, mais atrativos ficam os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA, os chamados treasuries, o que fortalece o dólar globalmente.
Juros altos também inibem a atividade econômica, mas o Fed ainda vê os principais indicadores econômicos em "progresso contínuo".
Divulgado nesta quinta, o número de pedidos de auxílio-desemprego caiu na semana passada. Mas analistas alertam que os cortes acentuados nos gastos do governo e a escalada das tensões comerciais podem ameaçar a estabilidade do mercado de trabalho.
Um outro relatório mostrou que os preços ao produtor dos EUA ficaram inalterados em fevereiro, em dado melhor que o esperado por economistas em pesquisa da Reuters.
Folha MercadoJá na véspera, foi divulgado que o CPI (índice de preços ao consumidor) avançou 0,2% em fevereiro, ante 0,5% em janeiro. No acumulado de 12 meses, desacelerou para 2,8%, depois de marcar 3% no mês anterior.
O Fed pausou o ciclo de cortes na taxa no início do ano, sob justificativa de resiliência do mercado de trabalho e inflação ainda acima da meta de 2%. Na reunião da próxima semana, a expectativa é que os juros sejam mantidos novamente na faixa atual de 4,25% e 4,5%.
"Apesar de o Fed deixar claro que não toma decisões com base em leituras individuais, o resultado do CPI de fevereiro favorece as possibilidades de um ciclo de afrouxamento maior do que o esperado até poucas semanas atrás. Atualmentejogo togrinho, existe probabilidade implícita de um próximo corte em junho. Ao mesmo tempo, o potencial inflacionário da guerra comercial seguirá no radar", diz Danilo Igliori, economista-chefe da Nomad.